Em busca de medalhas na Rio 2016, atletas da canoagem se despedem do Canal Itaipu

Desde que a Seleção Permanente de Canoagem Slalom foi instalada em Foz do Iguaçu, há cinco anos, os atletas da canoagem se acostumaram a chamar o Canal Itaipu de “lar”. Na manhã nublada desta quinta-feira (21), cinco deles se despediram de sua casa. Ana Sátila, Pedro Gonçalves, Felipe Borges, Charles Corrêa e Anderson Oliveira fizeram o último treino antes de partirem para o Rio de Janeiro, em busca de medalhas nos Jogos Olímpicos Rio 2016, de 5 a 21 de agosto.

AnaSatila

A casa da canoagem brasileira já foi palco de grandes disputas, entre campeonatos brasileiros e pan-americanos. Foi ali, por exemplo, que Ana Sátila, 19, conseguiu a classificação para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. A experiência no currículo será usada nesta Olimpíada. “Meus primeiros jogos me ajudaram muito. Pretendo colocar em prática o que aprendi em Londres, agora, no Rio”, diz Ana Sátila, que compete no caiaque simples (k1).

Para a atleta, natural de Primavera do Leste (MT), que tinha apenas 15 anos na Olimpíada passada, competir no Brasil terá um “gostinho diferente”. “Vamos estar perto da torcida, da família, que é muito importante para mim. Vamos defender o Brasil e nos orgulhar de o Brasil estar realizando um evento tão grande como uma Olimpíada.”

Time jovem

Técnico da seleção brasileira desde 2011, o italiano Ettore Ivaldi esteve com Ana Sátila nos Jogos de Londres e, agora, vai ao Rio de Janeiro com uma equipe mais crescida. “Em Londres, fomos buscar experiência. No Rio, queremos resultados”, afirma. Para ele, a principal característica do time brasileiro é ser muito jovem, mas motivado por competir em casa. “Com o atual investimento no esporte, com pistas como o Canal Itaipu, o Brasil pode se tornar um país importante na canoagem slalom”, conclui.

Conquistas maiores

O Canal Itaipu foi palco de vitórias, mas também de decepção. No mesmo ano em que Ana Sátila se classificou para Londres, Pedro Henrique Gonçalves, o Pepe, perdeu a vaga por 0,13s. “Foi um momento dolorido, de que vou me lembrar para sempre”, diz o atleta de Piraju (SP), 23 anos de idade, 11 deles dedicados ao esporte. Mais maduro, ele encara os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro com entusiasmo e seriedade. “Trabalhei muito para chegar até aqui. Tudo na vida é um ciclo, tem que perder algumas vezes para atingir conquistas maiores.”

Para Pepe, que compete no caiaque simples (k1), disputar uma Olimpíada em casa é confortável por estar próximo da torcida brasileira. Mas a competição tem que ser “pé no chão”. “O objetivo é passar prova por prova, primeiro as classificatórias, depois a semifinal e a final. Aí, vamos pensar em medalhas”, afirma o atleta, que gosta de jogar sob pressão, mas “uma pressão boa, que me faz ficar mais atento”.

Sincronismo

Além de sediar grandes eventos, o Canal Itaipu também criou futuros medalhistas. Anderson Oliveira conhece Charles Corrêa desde a adolescência, quando estudavam juntos em Piraju (SP). Mas foi somente há quatros anos, no Canal Itaipu, que os dois se arriscaram a formar uma dupla de canoa (C2). Hoje, a dupla representa o Brasil nos Jogos Olímpicos.

“O Charles estava sem parceiro e o técnico Ettore resolveu testar a gente junto. Aí, começamos a competir e hoje chegamos à Olimpíada”, conta Anderson, 24 anos, o “leme” do time. Para ele, remar em dupla é completamente diferente de competir sozinho. “O da frente dá velocidade ao barco e eu fico atrás, dando a guia, fazendo o leme. Quando o da frente dá velocidade, eu tenho que colocar o barco na linha certa para remar junto, em sincronismo.”

Quando remam juntos, os dois viram um. E a sincronia tem dado certo: no ano passado, eles foram prata no Pan-Americano de Toronto, no Canadá. “Na dupla, é preciso sempre cuidar dos espaços. Se eu arriscar muito na velocidade, o Anderson pode perder a linha atrás e perdemos o sincronismo”, explica Charles, 23 anos, o “motor” da dupla. Para ele, a euforia de competir em casa não pode atrapalhar a concentração. “Tem que ter o foco na água. Depois de acabarem os jogos, a gente comemora.”

Prata da casa

Finalmente, o Canal Itaipu é o local onde os jovens atletas do projeto social Meninos do Lago treinam diariamente. O canoísta Felipe Borges, 21, representante do Brasil na canoa simples (C1), é fruto do projeto social, do qual participa há oito anos. “Acho que o maior significado de minha classificação para a Olimpíada é servir de espelho para os outros atletas iguaçuenses participantes do projeto”, diz Felipe. “Eles vão me ver competindo e pensar: ‘ele também veio do Meninos do Lago, um dia eu também estarei lá’. Esperamos que, em 2020, mais atletas de Foz do Iguaçu estejam representando o Brasil nos Jogos Olímpicos.”

Meninos do Lago

Resultado de uma parceria entre a Federação Paranaense de Canoagem e a Itaipu, por meio do Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente (PPCA), com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e General Electric (GE), o Projeto Meninos do Lago começou em 2008, com o objetivo incentivar a prática do esporte e a formação de atletas de alto rendimento que possam representar o País em competições internacionais.

Atualmente, oferece 120 vagas para a prática da canoagem slalom, no Canal Itaipu, a crianças e jovens matriculados em escolas públicas de Foz do Iguaçu. O projeto tem ajudado no fortalecimento da canoagem slalom do Brasil, com a formação de novos atletas e a elevação do nível técnico dos canoístas brasileiros.

Fonte: Assessoria

Fotos: Alexandre Marchetti

“Caminhar Sinefi”: Jovens driblam a vulnerabilidade social

Cerca de 120 meninos e meninas entre 9 e 17 anos estão tendo a oportunidade de golear a vulnerabilidade social. Eles fazem parte do projeto “Caminhar Sinefi” que oferece, diariamente, aulas de futebol a estudantes de escolas públicas da região do Porto Belo, em Foz do Iguaçu.

Sinefi (1)

A iniciativa, lançada em maio de 2015, é resultado de uma parceria entre o Sindicato dos Eletricitário de Foz do Iguaçu (Sinefi) e a Itaipu Binacional, por meio do Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente (PPCA).

Paralela à capacitação esportiva, as crianças recebem atendimento psicossocial, bem como reforço alimentar e escolar, pois um dos requisitos para participar do “Caminha Sinefi” é ter bom rendimento escolar.

O presidente do Sinefi, Assis Paulo Sepp, destacou que o objetivo é ocupar o tempo livre dessas crianças, tira-las da situação de vulnerabilidade social e prepara-las para viver em sociedade. “No futebol, apenas um bom jogador não leva o time à vitória. É preciso trabalho e dedicação conjunta”.

O treinador, Juan Mansilla, garante que os garotos e garotas tem aproveitado os treinos, pois sabem que muitas crianças gostariam de estar no lugar deles. Entretanto, nem todas podem. “Procuro incentiva-los todos os dias a aproveitar esta oportunidade”.

Segundo o assistente do diretor-geral, Joel de Lima, ex-diretor jurídico do Sinefi, a Itaipu apoia o projeto por acreditar que através do esporte é possível fortalecer o protagonismo juvenil, possibilitar oportunidades e estimular uma nova visão de futuro. “Esse projeto é um sonho antigo do Sindicato, mas há apenas um ano conseguimos transformá-lo em realidade. Desejamos que alguns de vocês sejam os próximos Neymar, mas nossa meta é que, independente da área, sejam profissionais bem sucedidos e cidadãos comprometidos”, disse.Sinefi (3)

Mães orgulhosas
Embora o time “Caminhar Sinefi” ainda seja novo, já tem torcida organizada. São as mães que acompanham os treinos e o desenvolvimento dos filhos todos os dias.

Solange Lange, uma das mais animadas, é a mãe do goleiro Rafael Lange, de 11 anos. “Meu filho sempre foi bom aluno. Mas tinha muito tempo ocioso. Comia muita besteira. Depois do projeto, a vida dele é mais ativa. Emagreceu. E o desempenho escolar melhorou ainda mais”.

Outro ponto positivo, na opinião de Solange são as amizades. “Somos uma grande família. Uma cuida do filho do outro. Aqui estão livres de maldades e estão aprendendo boas lições”.